Plano de Conservação para o complexo de Zonas Húmidas do Lukanga na fase final

Após dois anos de investigação e recolha de dados no local por parte dos especialistas interdisciplinares da NEMUS e de parceiros locais, e apesar das complicações logísticas exacerbadas pela pandemia da COVID-19, o trabalho da NEMUS na elaboração do Plano de Conservação para o complexo de Zonas Húmidas do Lukanga e da Bacia do Alto Kafue está na sua fase de conclusão.

O complexo de Zonas Húmidas do Lukanga, uma depressão circular com 40 a 50 km de diâmetro e com uma bacia hidrográfica de 58.909 km2, é uma zona húmida de grande importância para o país e está interconectado sazonalmente com o rio Kafue, nas suas redondezas.

A Agência de Gestão Ambiental da Zâmbia (ZEMA, de Zambia Environmental Management Agency), com o apoio do financiamento do Banco Mundial, solicitou o desenvolvimento de um plano de conservação para a zona húmida que considerasse o espetro total de impactos resultantes da sua bacia hidrográfica e da Bacia do Alto Kafue. Esta última engloba as províncias de Copperbelt e Central, conhecidas pelas suas extensas atividades mineiras e extrativas e áreas de irrigação intensiva. São, por esse motivo, prováveis e preocupantes fontes de poluição.

O objetivo geral do projeto era abordar a situação de modo integrado, examinando as interações jusante-montante, e como estas perturbam os serviços de ecossistema e a vivência das comunidades que dependem fortemente da vitalidade da zona húmida. A NEMUS está-se a aproximar do cumprimento dessa meta após dois anos de compilação de dados climáticos, hidrológicos, hidrogeológicos, ecológicos e socioeconómicos, uma grande parte deles obtidos no local e através de testemunhos de atores-chave.

Como parte dos procedimentos finais dos serviços de consultoria, a NEMUS realizou um workshop e um curso de formação com os objetivos, respetivamente, de apresentar e consultar os técnicos da ZEMA, elementos de outras agências/ministérios do Governo da Zâmbia e demais partes interessadas sobre a versão draft do plano de conservação; e de os capacitar para a implementação e seguimento do plano.

O workshop teve lugar em Junho, ao longo de três dias, e abordou três temas principais: Enquadramento e avaliação do planeamento para a conservação; Zonamento e estratégias de conservação e gestão; e, Monitorização e implementação.

A formação, também de três dias, foi levada a cabo no final de julho / início de agosto, e focou, não só a implementação e seguimento do plano de conservação (incluindo o plano de monitorização nele previsto) mas também a utilização da ferramenta de modelação adotada para a análise custo-benefício e avaliação de cenários.

O plano de conservação delineado pela NEMUS estende-se ao longo de um período de 30 anos (2020 – 2050) e inclui não só ferramentas e recomendações de gestão da região, como também avalia as perdas económicas, ambientais e sociais através de simulações que têm em consideração os serviços de ecossistema mais importantes do local.

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