Arrancou um ambicioso plano de recuperação florestal no Ruanda pelas mãos da Nemus

A região de Mayaga localiza-se no Ruanda, numa zona de terras baixas, com uso agro-ecológico, que se estende por cerca de 263.000 ha, dos quais 555 ha estão cobertos por fragmentos de floresta nativa, estando a restante área quase totalmente ocupada por agricultura, que é a principal atividade económica da região. Ocorrem ainda manchas florestais de dimensão considerável, que são geridas especificamente para extração de madeira para geração energética.

As áreas naturais relevantes que ainda subsistem na região são florestas nativas localizadas em reservas naturais e a área húmida associada ao rio Akanyaru – um dos mais importantes do país – que presta importantes serviços ambientais, sociais e económicos a uma população crescente.

De facto, a maior parte dos ecossistemas naturais da região está severamente alterada e estes encontram-se em risco de degradação progressiva, devido ao avanço da agricultura para o interior das áreas naturais que ainda restam.

Perante este panorama, a Autoridade de Gestão Ambiental do Ruanda decidiu colocar em marcha um enorme plano de restauração da região; o objetivo do plano é aumentar os stocks de carbono em 5.500.000 t CO2 em 20 anos e aumentar a resiliência da agricultura de subsistência em 96.000 ha. O programa de recuperação ambiental irá ainda incluir a gestão participativa das reservas naturais florestais de Kibirizi-Muyira e Karama (354 ha), a reabilitação de mais de 1.000 ha de áreas florestais públicas, entre muitas outras iniciativas, incluindo um forte programa de capacitação da população.

A Nemus está a desenvolver a primeira fase de implementação deste plano de restauração, denominado “projeto de restauração da paisagem florestal na região de Mayaga”, promovido pela UNDP (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas). Esta primeira fase, de três, consiste no desenvolvimento dos estudos de base e na seleção de indicadores e metas para implementar o programa. A equipa da Nemus irá: recolher e compilar dados, avaliar tendências de evolução do território, mapear informação georeferenciável e conceber um plano de monitorização com indicadores e metas que permitam acompanhar a evolução dos resultados futuros de implementação do programa, nomeadamente no que se refere ao sequestro de carbono, à restauração de área florestal e à melhoria da produtividade e qualidade agrícolas.

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